Crônicas de Campanha #4

Hoje panfletei na fila do ônibus que leva pessoas para o presídio. A grande maioria mulheres, muitas com bebês e crianças.
Lá conheci Dona Maria, negra com mais de 60 anos que me disse que não votaria.
A dona Maria trabalhava de cozinheira na casa de um General, não entendi direito. O fato é que ela disse que já havia trabalhado para Fernando Henrique, para Arruda, para Collor.

Após alguns minutos de conversa, ela vira para mim, com olhos úmidos:
– Você acha que eu criei bandido?

– Com certeza não.

– Pois é. É o destino.

Imaginei como aquela senhora, que trabalhou a vida toda para dar condições aos filhos, se sentiu quando o filho foi preso.

Dona Maria, é destino mesmo. Mas é um destino definido pelos homens, são decisões tomadas diariamente há 500 anos para traçar o destino de seus filhos já no nascimento, com as devidas exceções que apenas confirmam a regra.

Sou candidato para mudar essa realidade.

2018-09-11T09:53:14+00:00