Crônicas de Campanha #7

Fui convidado por Leila a participar de um bingo que ela e suas amigas e amigos estavam organizando para arrecadar fundos e ajudá-la, em Mestre D’Armas.

Leila é uma mulher forte, com aquele sorriso que contagia e que, quando você menos espera, está rindo junto com ela. Leila está desempregada e o bingo a ajudaria pagar a luz, a água e o aluguel. O prêmio para o ganhador do bingo seria de R$ 300,00.

Chegamos 18h, o bingo foi acontecer era mais de 21h. Estavam todos sentados na calçada, com o isoporzinho e conversando. Conversamos bastante sobre política, sobre a situação de Brasília e do país e o que é possível fazer. Temos muitos problemas, mas pouca coisa é pior que o desemprego.

Se há trabalho, o resto vai se ajeitando. Quando se procura emprego por meses e não se encontra nada, bate o desespero. Começa a faltar para o básico e a pessoa começa a ter que escolher o que fazer com o dinheiro: comprar comida, pagar a luz, pagar a água, pagar o aluguel.

Ouvi dois casos de pessoas que estavam sem água e luz em casa por falta de pagamento. Leila era uma delas, que vai se virando, vendendo lanches, caldos, din-din. E o bingo dos amigos.

Eu, historicamente, tenho sorte em bingos. Quando era criança e tinha bingo que, em geral, valia frango assado, leitoa assada, cartucho de doces, eu sempre ganhava. Lembrei disso e falei para minha irmã, ainda no carro: você sabe que eu vou ganhar esse bingo, né?

O bingo começou. O início foi avassalador: dos 5 primeiros números, 4 eu tinha acertado. Nesse ritmo, a profecia se cumpriria. Quando faltava apenas um número, ele rodou a manivela, já não tive dúvida, pode gritar: BINGO!!

Aquele escarcéu. A única pessoa que era de fora dali tinha ganhado, gritos de marmelada, brincadeiras com a política, de tudo um pouco. Fomos conferir, confesso que com um pouco de medo: e se eu tivesse errado algum número? A brincadeira já seria: olha o político aí já roubando!!

De fato, havia ganhado. Peguei o microfone: Leila, venda mais cartelas que o prêmio ainda está em jogo! Comprei duas cartelas e pensei: que eu me lembre, eu nunca tinha ganhado dois frangos na mesma noite.

Obrigado à Leila e a todas e todos que nos receberam. Muita prosa, risada e diversão.

E solidariedade.

E política. Aprendi muito em nossas conversas. E saí de lá ainda mais convicto: a política tem que melhorar a vida das pessoas. Em cada votação na Câmara, deve ser respondida a pergunta: como isso afeta a vida da Leila, lá em Mestra D’Armas? E se posicionar frontalmente contra medidas que contribuam para manter tudo como está. A escola dos filhos de Leila precisa ser de excelente qualidade, os netos de Leila precisam de creche, o ônibus tem que ser confortável, os jovens precisam ter opção de arte, cultura e esporte perto de casa. Enfim, o Estado precisa priorizar essas medidas. E um político deve se opor a qualquer medida que dificulte esse caminho.

A política parece distante da vida das pessoas, mas não está. Ela afeta diretamente a vida das pessoas. A demanda para construir um posto de saúde em Mestre D’Armas já é conhecida e porque não é feito? Porque na hora de decidir onde colocar o dinheiro, o posto de saúde não é contemplado. Ao mesmo tempo, há centenas de empresas com isenções fiscais que reduzem a arrecadação e, com isso, não sobra dinheiro para o posto de saúde em Mestre D’Armas.

Em 07 de outubro, você tem uma chance de mudar. Temos que começar com o que temos em nossas mãos. O voto. Muitos não acreditam que seja possível melhorar. E quanto mais gente acredita nisso, mais as coisas continuam como estão. E os mesmos de sempre se perpetuam.

É difícil mudar, não nego. Em minhas andanças, o que mais escuto é que, mesmo acreditando nas minhas intenções e no meu compromisso, eu não conseguirei fazer nada porque tudo lá está amarrado. E está mesmo. Mas há brechas, que devemos aproveitá-las. Precisamos de sangue novo, gente disposta a inovar e construir o caminho, que não está aberto.

Não é difícil perceber quem são os candidatos que enxergam na política uma forma de conseguir poder para conseguir se sentar em uma mesa com empresários e estar em condições de exigir benefícios para si em troca de facilitar aqui ou ali; que possam se sentar à mesa com o Presidente da República e exigir esse ou aquele benefício para apoiar qualquer projeto que seja.

Você deve estar vendo milhares de bandeiras nas ruas e pessoas uniformizadas aos montes. Pesquise, mas muito provavelmente esses são os candidatos que fazem da política um balcão de negócios muito rentável. Laerte Bessa, somente do fundo eleitoral, tem R$ 2 milhões; Flavia Arruda, R$ 2,4 milhões; Tadeu Filippeli: R$ 1 milhão. Para ficar em 3 grandes figuras da política local que devem estar cheio de bandeiras e distribuindo benesses Brasília afora.

Por que essas pessoas são candidatas? Por que querem um assento na Câmara Federal? Para fazer o que? Vejo neles apenas a vontade de continuar onde sempre estiveram para fazer tudo da mesma maneira: uma coisinha ali, outra acolá, muitas negociatas para levantar o dinheiro que precisam para se manter onde estão, despejando seus milhões na campanha.

Pense nisso e dia 7 de outubro, digite: 50(61).

E já anota meu celular: 61-99169-9966.

2018-09-11T09:31:36+00:00